Mulheres eficientes
Elas comprovam que o amor e o respeito estão acima de qualquer limitação física! Por Gabriela Soares
Visão de mundo
Outra verdadeira ativista dos direitos dos deficientes é a modelo cearense Vanessa Vidal, 25 anos, segunda colocada no Miss Brasil 2008. Aliás, durante o concurso daquele ano, ela chegou a emocionar a plateia do Citibank Hall ao responder em Libras (a Língua Brasileira de Sinais, usada na comunicação de e para pessoas que têm deficiência auditiva) à famosa pergunta dos jurados.
"Já sofri e ainda sofro preconceito", confessa a miss durante os ensaios para o concurso. "Tem gente que não entende as diferenças, mas venho superando todas as dificuldades. Estar no meio dessas misses já faz parte de um longo processo de inclusão."
No ano passado, Vanessa lançou sua autobiografia, A Verdadeira Beleza, e trabalha em Fortaleza na Comissão Técnica Municipal Para Elaboração de Políticas Públicas Municipais para Atenção às Pessoas com Deficiência (Compedef). Ela também ministra palestras e seminários sobre inclusão e acessibilidade, além de ser instrutora de Libras. Um dos objetivos de Vanessa é ser política.
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Danieli Haloten, 29 anos, é mais uma brasileira que chamou a atenção de todos para a necessidade de inclusão das pessoas com deficiência. A curitibana nasceu com glaucoma e foi perdendo a visão aos poucos, até que, aos 17 anos, já não enxergava mais. Mesmo assim, não desanimou: formou-se em duas faculdades, Artes Cênicas e Jornalismo, e conseguiu se tornar a primeira deficiente visual a ter um papel numa novela: ela foi a Anita de Caras & Bocas, de Walcyr Carrasco, grande sucesso das 19h da Rede Globo. Para chegar lá, a moça teve de driblar, além da cegueira, a pobreza e o preconceito. Através de e-mails, convenceu Carrasco a escrever um papel para ela. Sempre com seu cão-guia, o labrador Higgans, Danieli se mudou para o Rio, onde conquistou fãs e a curiosidade da mídia.
Quando precisou aprender braile na adolescência, Danieli estudou com, pelo menos, um dos livros da Fundação Dorina Nowill para Cegos, cuja criadora, uma professora paulistana de 90 anos, é reconhecida mundialmente pelos seus esforços em prol dos deficientes visuais.
Dorina ficou cega ainda adolescente, devido a uma infecção ocular. Estudou nos Estados Unidos, casou-se com um filantropo e, há mais de 60 anos, fundou a instituição que leva seu nome. Foi considerada pela revista Época 1 dos 100 brasileiros mais influentes de 2009.
Em dezembro do ano passado, ela foi homenageada na Câmara Municipal de São Paulo com mais um prêmio por sua luta.
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