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Quero parar de fumar e agora?


Somos um país de 26 milhões de ex-fumantes, maior que o percentual de fumantes. Mesmo assim, ainda há uma grande parcela que tem o hábito de fumar. Se você faz parte deste grupo, UMA preparou um guia especial para ajudá-lo, com dicas de especialistas e depoimentos de quem já venceu essa batalha.


Por Cláudia Ramos
Fotos: Shutterstock

Fumar já foi símbolo de glamour e poder. Personalidades apareciam em público ostentando cigarros, cigarrilhas e charutos. Nas décadas de 40 e 50, Hollywood e suas divas transformaram baforadas em atitudes sensuais. Rita Hayworth em Gilda e Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo eram lindas e carregavam suas piteiras em cena. "Então, por que não?", era a mensagem da época. Felizmente - para os não-fumantes - os tempos mudaram. Estudos têm mostrado o "lado negro" por trás da fumaça, aquele que as propagandas ignoravam ao colocar gente bonita, alegre e saudável. Hoje, as pessoas estão conscientes de que fumar causa sérios danos à saúde: são mais de 50 doenças relacionadas ao consumo de tabaco.

O tabagismo, segundo o Ministério da Saúde, é a principal causa de morte evitável no mundo. São mais de 10 mil por dia, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados chocantes, sem dúvida, que, no mínimo, fazem com que muitos revejam suas posturas. Até mesmo o Brasil, o maior exportador mundial de tabaco, tem reforçado a luta no controle do tabagismo com leis mais rigorosas. Isso se re ete nos números: em 1989, 32,4% da população acima de 15 anos fumava. Em 2003, o Instituto Brasileiro de Geogra a e Estatística (IBGE) estimou uma diminuição para 19% e, em 2008, para 17,2%.

Parar não é fácil, com certeza! Menos de 5% dos que tentam por conta própria conseguem largar o vício. Mas é possível, principalmente com ajuda especializada. Os maiores índices de sucesso são daqueles que têm acompanhamento adequado. "É preciso lidar com dois tipos de dependência: a química e a comportamental, para obter um bom resultado", diz Daniel Deheinzelin, pneumologista e coordenador do Programa Antitabagismo do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. "O fumante precisa entender a relação que ele tem com o cigarro para abandoná-lo." A contadora Luciana Dias fumou por 10 anos e, há 20, largou o tabaco. "Isso aconteceu quando planejei engravidar. Tinha lido que prejudicava o bebê, e ele ainda podia ter um QI menor. Parei sem ajuda, mas foi terrível. Os primeiros dias são os piores", conta.

Resistir à tentação nos primeiros dias de abstinência é fundamental e tem uma explicação: o cigarro tem cerca de 4 mil compostos, o principal deles é a nicotina, uma droga poderosa que atua no Sistema Nervoso Central (SNC), como a cocaína, com a diferença de que chega ao cérebro em apenas sete segundos - de 2 a 4 segundos mais rápido do que a coca. O tabaco tem o poder de viciar uma pessoa em apenas duas semanas. Assim, ao parar, há a crise de abstinência, que pode provocar dores de cabeça, tontura, irritabilidade, alteração do sono, tosse e indisposição gástrica. Mas os sintomas passam em duas semanas, no máximo.

Conhecendo um pouco mais sobre o tabaco

Há registros sobre o uso do tabaco, aproximadamente, no ano 1000 a.C. Era utilizado em rituais religiosos nas sociedades indígenas da América Central. A planta, cientificamente chamada Nicotiana tabacum, chegou ao Brasil provavelmente através da migração das tribos indígenas. E, consequentemente, os portugueses conheceram o tabaco pelo contato com os índios na época da colonização.

A partir do século XVI, o seu uso disseminou-se pela Europa, introduzido por Jean Nicot, diplomata francês vindo de Portugal, com utilização até para curar as enxaquecas da rainha da França. As folhas de tabaco foram comercializadas sob a forma de fumo para cachimbo, rapé, tabaco para mascar e charuto, até que, no final do século XIX, iniciou-se a sua industrialização sob a forma de cigarro. Tal é a importância econômica do produto no Brasil, que a folha de tabaco foi incorporada ao brasão da República.

(Fonte: psicóloga Sandra Mayumi Kubota Iso, sócia-diretora do SOMA - Consultoria e Reabilitação em Dependência Química)

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