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Quero parar de fumar e agora?


Somos um país de 26 milhões de ex-fumantes, maior que o percentual de fumantes. Mesmo assim, ainda há uma grande parcela que tem o hábito de fumar. Se você faz parte deste grupo, UMA preparou um guia especial para ajudá-lo, com dicas de especialistas e depoimentos de quem já venceu essa batalha.


Por Cláudia Ramos


Passo a passo

Fotos: Shutterstock

 Escolha um momento tranquilo, de pouca pressão e angústia. Planeje o tempo para vencer a sua dependência.

 Dê preferência e procure um médico especialista, expondo o seu propósito, questionando os tipos de recursos e medicamentosos possíveis para controlar o impulso e a ansiedade.

 Comece com a reposição de nicotina em forma de patch, procurando seguir as orientações médicas. Lembre-se sempre de trocar os locais em que os patches são colocados, para evitar possíveis afecções dermatológicas.

 Anote em gráfico ou tabela o número de cigarros fumados no dia, buscando cada vez mais reduzir a quantidade.

 Aproveite para praticar alguma atividade física e expandir a sua capacidade respiratória, até então reduzida pelo uso constante do cigarro. Isso fará você se sentir melhor e mais capaz de controlar seus hábitos e dirigir sua vida.

 Se, ainda assim, encontrar dificuldade, talvez seja bom procurar um terapeuta e organizar seus sentimentos em relação à sua nova vida e hábitos.

 Conseguiu parar? Ótimo! Aproveite para ler sempre sobre os malefícios do tabagismo, conscientizando-se das melhorias obtidas após o término do hábito. Isso fará com que você se fortaleça cada vez mais, e não sofra uma recaída. Lembre-se: nada daquele "único" cigarrinho.

(Fonte: Olivan Liger, psicanalista e sócio-diretor da SOMA - Consultoria e Reabilitação em Dependência Química)

O problema é que muitos fumantes têm medo dessa crise e desistem. Setenta porcento das desistências ocorrem antes do primeiro ano. "Para sobreviver sem o cigarro, lancei-me de cabeça nos esportes. Eu sempre gostei de correr, lutar e fazer musculação. Ao parar de fumar, ia todos os dias à academia, e ficava o tempo todo malhando para não cair em tentação", conta o empresário Flávio Pinho, 35 anos, que está sem fumar há um ano. Ele também incorporou aos seus hábitos os chicletes de nicotina. Essa é a terceira vez que tenta abandonar o vício. Das duas primeiras, não deu certo, mas ele não desistiu e, desta vez, conta com o apoio da mulher, Vivian, e dos dois filhos. Tentar 2 ou 3 vezes antes de obter sucesso é normal, dizem os especialistas. "Fiquei oito anos sem fumar. Achava que estava livre do vício, e voltei a pegar um cigarrinho aqui, outro ali. Quando me dei conta, havia retomado", lembra a dona de casa Gisele Carvalheira, 40 anos. Há 10, ela decidiu fazer uma nova tentativa, e tem dado certo.

Mas é preciso ficar sempre atento. Sobre isso, o pneumologista Daniel Deheinzelin, do Hospital Sírio-Libanês, conta um dado curioso: o ex-fumante sonha com cigarro até nove anos depois de parar. "Isso mostra que ele é um fumante em potencial, e é importante que, durante este período, ele não coloque nenhum cigarro na boca", aconselha. Esse tempo de nove anos tem fundamentação em estudos. "O cérebro possui receptores de nicotina, espécie de fechadura localizada nas células em que o composto se encaixa.

A partir daí, começam a ser liberadas no corpo substâncias, como a serotonina, catecolamida e dopamina, que estão envolvidas no processamento de sensações, como o bom humor e o relaxamento", explica a psicóloga Sandra Mayumi Kubota Iso, do SOMA, especializado em reabilitação e consultoria em dependência química. Com o tempo, o corpo se acostuma com a nicotina, e precisa cada vez mais dela para sentir as mesmas coisas. Por causa da dependência, demora um tempo até que os receptores desacostumem. "O ex-fumante nunca está totalmente livre do risco de voltar ao vício.

Não pode pegar um cigarro nem de brincadeira." É bom se lembrar de que mesmo o cigarro de baixo teor não é uma boa alternativa, assim como os tipos derivados do tabaco, incluindo charutos, cachimbos e cigarros de Bali. Em 2001, o Ministério da Saúde proibiu o uso de termos como baixo teor, suave, leve, para evitar uma interpretação errada.

Buscar ajuda

Parar de fumar depende da conscientização de cada um. Não há remédio ou tratamento que ajude se realmente não houver essa vontade. Portanto, se você tomou a decisão, o ideal é procurar um clínico geral. Ele poderá indicar o melhor tratamento ou, se for o caso, encaminhar a algum centro de apoio. Para Daniel Deheinzelin, pneumologista e coordenador do Programa Antitabagismo do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, largar o cigarro sozinho tem de ser de forma imediata, e não gradual, o que a tornaria mais complicada.

Com a ajuda médica, esse processo pode ser feito aos poucos: com a Terapia de Reposição de Nicotina (TRN), sob a forma de adesivo, goma de mascar, inalador ou aerossol; ou com antidepressivos, como a Bupropiona,comercializada com o nome de Zyban, um inibidor que não apresenta, na grande maioria dos casos, efeitos colaterais; ou ainda com o Vareniclina, vendido como Champix, que reduz o desejo de fumar e os sintomas de abstinência.

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