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De Amélia a Dalila: A mulher na MPB
Nesta reportagem especial da UMA, você descobre como a mulher foi retratada em nossa música popular, e ainda conhece mulheres poderosas que revolucionaram a história da canção brasileira Por Daniel Martins*
ELIS
Do Rio Grande do Sul, surgiu uma das maiores, senão a maior, cantora que a música popular brasileira já ouviu. Um verdadeiro brilhante: Elis Regina Carvalho Costa.
Apelidada por Vinícius de Moraes de Pimentinha, e considerada por Caetano Veloso a maior cantora desta terra, Elis apareceu para o grande público com apenas 20 anos de idade durante o 1º Festival Nacional da Música Popular Brasileira. Sua antológica interpretação de Arrastão deixou claro para todos os que ali estavam que ela era uma grande artista.
Seja no Beco das Garrafas ou no Fino da Bossa, Elis demonstrou sempre o mesmo talento, a mesma versatilidade e emoção. Tamanha capacidade fez com que consagrasse por tabela inúmeros compositores como Milton Nascimento, Gilberto Gil, João Bosco e Aldir Blanc. |
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BETHÂNIA
Maria Bethânia Vianna Telles Velloso saiu de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, para se transformar em um dos maiores expoentes de nossa música popular. Sua estreia foi no histórico Show Opinião, quando substituiu Nara Leão ao lado de João do Vale e Zé Kéti, e interpretou Carcará. Bethânia não apenas cantou. Ela elevou Carcará a outro plano. Foi assim também com Olhos nos Olhos, canção de Chico Buarque que desmancha a construção do sexo frágil, concedendo à mulher uma força, até então, pouco demonstrada: “Olhos nos olhos / Quero ver o que você faz / Ao sentir que sem você eu passo bem demais / E que venho até remoçando / Me pego cantando, sem mais, nem por quê / Tantas águas rolaram / Quantos homens me amaram / Bem mais e melhor que você”. |
NARA
A música popular brasileira ganhou novos rumos quando a ainda jovem capixaba Nara Loffego Leão resolveu aprender violão. O apreço pela música fez com que ela reunisse no apartamento de seus pais na Av. Atlântica, no Rio de Janeiro, uma turma interessada em fazer samba com um toque mais moderno, a tal da bossa-nova.
O jeito tímido e a voz singela não foram capazes de impor limites. Logo em seu disco de estreia, ela prestou um enorme serviço à música brasileira ao resgatar grandes sambistas esquecidos. Mas Nara não olhou apenas para o passado. O futuro veio através de brilhantes interpretações de canções dos então novatos Fagner, Chico Buarque, Edu Lobo, Martinho da Vila e Paulinho da Viola. |
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A VOZ E A ELOQUÊNCIA DE MARISA
Uma das mais talentosas de sua geração. Essa é Marisa de Azevedo Monte. Dona de uma voz inconfundível, dotada de técnica obtida em anos de estudo de canto lírico, Marisa dá prosseguimento a uma belíssima tradição brasileira de grandes cantoras. Capaz de produzir um barulhinho realmente bom, ela impressionou logo de cara. Afinal, é ou não é de arrepiar ouvir a cantora em Bem que se quis: “Agora vem, prá perto vem / Vem depressa, vem sem fim / Dentro de mim / Que eu quero sentir / O teu corpo pesando / Sobre o meu / Vem meu amor, vem prá mim / Me abraça devagar / Me beija e me faz esquecer...”? Um primor. |
* Daniel Martins é Mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG), e é autor da dissertação Das Coisas que Aprendi nos Discos – Cancioneiro
Popular Brasileiro e Identificação Nacional.
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Edição 113 -2010 |
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